Sexta-feira, 5 de março de 1999
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Regras para o câmbio
A primeira entrevista de Armínio Fraga como presidente do Banco Central deixou claro como o governo vai conduzir, a partir de agora, a política de intervenção no câmbio. Esta era uma das principais dúvidas
do mercado desde a mudança no regime cambial e a queda de Francisco Lopes.
Para o mercado, agora não há dúvida: a taxa de câmbio, no nível em que se sustentou nas últimas semanas, vai ceder porque o BC voltará a atuar no mercado de forma consistente. Um exemplo disso é que,
após as declarações de Armínio no início da tarde, apenas a expectativa de que isso acontecerá
fez o dólar comercial cair e fechar o dia cotado a R$ 2,08, depois de ter sido negociado
a R$ 2,15.
O Banco Central vai destacar uma parcela dos recursos do pacote financeiro internacional de ajuda ao país para irrigar o mercado de dólares, atendendo às demandas dos setores público e privado para pagamentos de compromissos com o exterior.
Esta é uma mudança importante em relação ao regime anterior. Quando o câmbio era administrado, o governo usava as reservas para manter a cotação do dólar num patamar que assegurasse o controle da inflação.
Quando foi fechado o primeiro acordo com o FMI, ficou acertado que as reservas não poderiam ficar abaixo de US$ 20 bilhões. Além disso, o Fundo proibiu que o Brasil usasse dólares do empréstimo internacional para intervir no mercado. Na prática, aquele limite era o parâmetro de manutenção do antigo regime cambial.
Como se sabe, a derrota do governo no Congresso no fim do ano passado e a moratória de Minas Gerais no início
de 1999 abalaram de vez a credibilidade da economia brasileira, provocando uma fuga acelerada de capitais. Vendo que o limite mínimo das reservas seria rapidamente atingido, o governo se antecipou e adotou o regime de câmbio flutuante.
Agora, o BC será autorizado a usar parte das reservas obtidas com a ajuda internacional para atuar no mercado. A explicitação dessa postura é importante porque significa dizer também que o Banco Central não vai entrar no jogo dos especuladores, como fez enquanto durou o regime de câmbio quase-fixo. Naquela época, para desbancar as megaposições de alguns bancos no mercado, o BC torrava bilhões de dólares, ou seja, atuava no mercado
como um jogador.
"O uso das reservas são uma ponte entre o curto prazo comprador de dólares e o longo prazo, quando o fluxo de capitais já poderá ter voltado", diz o economista Marcelo Allain, do Banco BMC.
O certo é que a atuação do BC nos próximos será intensa, o que deverá contribuir
para a taxa de câmbio cair. Apenas no primeiro semestre do ano, US$ 12,6 bilhões, em vencimentos da dívida externa pública e privada, estarão vencendo.
Se quiser forçar uma redução na taxa de câmbio para adequá-la à meta de inflação prevista, o Banco Central coordenará com o governo outras medidas nas áreas fiscal e monetária que dêem sustentação à queda na taxa nominal. É isto o que se pode depreender das declarações do novo presidente do BC, quando ele disse que as intervenções no câmbio
virão acompanhadas de outras medidas de política econômica.
A verdade é que, no regime atual, não será mais possível manipular a taxa de câmbio sem que haja uma sustentação fiscal. Foi exatamente a ausência do equilíbrio das contas públicas que minou o regime
cambial anterior.
Acima da média
Terceiro maior grupo segurador do país, a Itaú Seguros registrou faturamento de R$ 1,57 bilhão no ano passado, com crescimento nominal de 10,2% em relação a 1997. No mesmo período, o setor de seguros como um todo cresceu apenas 5%.
O lucro líquido da Itaú Seguros atingiu R$ 62,1 milhões, contra R$ 54,4 milhões obtidos no ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido foi de 11,9%.
Em 1999, a empresa fechou contrato de US$ 1,2 bilhão para segurar o trecho brasileiro do gasoduto Bolívia-Brasil, que tem 2.593 km de extensão.
Vocação
Quando, em 1996, resolveu abrir licitações para a exploração da telefonia celular pelo sistema PCS, o governo americano ofereceu 150 licenças, proibindo as empresas com patrimônio superior a US$ 500 milhões de participar do negócio.
A estratégia, que fracassou, era evitar a concentração do mercado. Hoje, 74 empresas já devolveram suas licenças ao órgão regulador.
No Brasil, onde o modelo pós-privatização assegura a competição das empresas de telecomunicação por pelo menos cinco anos, a concentração do mercado também será inevitável.
Custo Rio
O Rio de Janeiro é o pesadelo das seguradoras de automóveis.
Segundo levantamento do Sindicato das Seguradoras, em 1998 foram roubados 41.283 veículos no estado, 113 carros por dia ou 4,7 por hora. O número representa também 2,2% da frota de veículos do estado, contra 1,2% em todo o país.
A proporção em São Paulo foi de 1,7%.
A vida é bela
Em tempos de economia de guerra, não faz sentido o Ministério do Orçamento e Gestão enviar uma comitiva de cinco assessores à reunião anual do BID, em Paris.
Que o ministro Paulo Paiva e seu secretário de Assuntos Internacionais, Daniel de Oliveira, compareçam ao evento, vá lá.
Mas, o que vão fazer na Cidade Luz, entre os dias 9 e 19 deste mês, o secretário adjunto de Assuntos Internacionais, a coordenadora-gera da mesma secretaria e o chefe de gabinete do ministro?
Feriadão
A quem interessar possa: a reunião do BID acontecerá entre os dias 14 e 17 do mês corrente.
PELO MERCADO
Depois de privatizada, a Vale do Rio Doce cancelou a concessão de tíquetes de refeição e o subsídio para educação de seus funcionários e dependentes. Ontem, o juiz Marcelo Alves de Moura, do Rio, restabeleceu os benefícios.
Empresários de telecomunicações e representantes do governo reúnem-se no fim de semana, na região serrana fluminense, para discutir estratégias de desenvolvimento do setor e a criação de um pólo de negócios no Estado do Rio. Dentre os debatedores, estarão os presidentes da ATL Algar, Embratel, Tele Norte-Leste e Telerj, além do presidente da Anatel, Renato Guerreiro, e do presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), Cleofas Uchôa.
Cristiano Romero com Gabriela Mafort
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