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Brasil: Terra de Ninguém

Por João Costa *

Tenho acompanhado com certa melancolia a reação de alguns setores da sociedade brasileira, especialmente as Forças Armadas, com relação à proteção da soberania brasileira, e o que me causa profundo transtorno é o fato de que em meio a dezenas de inimigos reais e assaz perigosos, muitos estão a desperdiçar tempo e energia a vociferar contra um inimigo ideológico que, como um Judas maltrapilho, desvia a atenção dos poucos ainda sinceramente interessados na proteção de nosso país, contribuindo para a situação de crise geral que nos assola.

Refiro-me, é claro, aos Estados Unidos, o Bode Expiatório mundial. O único país no mundo a deter posição de ponta nas áreas tecnológica, bélica, cultural e econômica que, numa bizarra inversão de perspectiva, deixou de ser o guia da humanidade e passou a ser sua principal desculpa para todos os tipos de fracassos e problemas. No mundo em geral, e no Brasil em particular, o antiamericanismo é o novo ópio do povo, prestando-se ao papel que Marx, cheio de malícia, atribuiu às religiões.

Da imprensa e mesmo da intelligentzia não espero nada além de desinformação e má fé; eles são os principais culpados por esta calamidade que tomou conta da consciência brasileira, levando as pessoas a preferirem ver o Brasil se aliando a China ou Cuba, países de orientação política genocida e desumana, do que se aliando à América, mesmo que seja por interesse estritamente comercial. Mas, quando as Forças Armadas, com intenção de num último bravo esforço proteger a soberania nacional, adota a bandeira antiamericana – que o próprio General Humberto de Alencar Castelo Branco foi sempre contra – as sementes da destruição começam a se mostrar fecundas, senão vejamos:

Desde a ocupação Anglo-americana no Iraque – que, aliás, veio com anos de atraso – uma parcela significativa das Forças Armadas tem demonstrado preocupação com a proteção de nossas riquezas naturais e clamado aos quatro cantos que o sucateamento do exército – a face mais suja do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e que o atual governo segue a mesma linha – põe em risco nossa soberania, pois estaremos despreparados para possíveis pressões e mesmo ataques do vizinho do Norte.

Não me cabe aqui demonstrar a falácia de que se constitui a luta pela proteção da Amazônia contra a invasão americana. Primeiro porque não possuímos minérios vitais à economia e indústria mundial com exclusividade; segundo, porque as maiores reservas de água potável encontram-se nos pólos e as tecnologias de dessalinização já se mostram eficazes; terceiro, porque nossa biodiversidade não vale nada se não for explorada com recursos tecnológicos de ponta, o que é feito todos os dias por ONGs estrangeiras – especialmente européias – sob os auspícios das autoridades nacionais; e quarto, e mais importante, porque nunca ouvi falar dos Estados Unidos terem invadido um país por causa de seus recursos naturais. Quem acha que nisso se resumiu a ocupação Anglo-americana no Iraque é ignorante ou patife.

Enquanto os delírios seguem sem rédeas, os verdadeiros inimigos do Brasil vão tomando a cada dia mais espaço.

Nossa soberania é ameaçada atualmente por dois grupos terroristas. Primeiramente pelas FARCs colombianas que constantemente invadem nosso território, transformando-nos em base de operações e, em segundo lugar, pelo Sendero Luminoso do Peru, que está se reorganizando de forma rápida e buscando nos indígenas, inclusive brasileiros, os novos recrutas.

As FARCs colombianas – que gozam de extrema simpatia do governo do Sr. Luís Inácio – ocupam mais de um terço do território colombiano e lá instalaram um regime de terror que não deixa nada a desejar a Cuba ou a Coréia do Norte. O Sendero Luminoso foi parcialmente desmantelado após anos de sangrentos conflitos; sua orientação Marxita-Maoista os deixa em pé de igualdade com o antigo Khmer Rouge de Pol Pot, o que representa um sério risco para toda a América do Sul caso venha a se reestruturar novamente.

Some-se isso à nossa atual legislação que dá direitos incabíveis e ilegítimos à população indígena e podemos prever, num futuro muito próximo, que áreas inteiras de nosso território, sob pretexto de protegerem comunidades indígenas, transformar-se-ão em Estados paralelos, tomando considerável parte da Floresta Amazônica e de seus recursos. Quem acha que estou exagerando, recomendo a leitura do Livro A Farsa Ianomâmi de Carlos Alberto L. M. Barreto. O livro é assustador, posto que ele trata apenas do começo do problema; foi publicado postumamente em 1995 e discute as questões absurdas da formação do território Ianomâmi (94.141 Km2 ou três vezes a superfície da Bélgica) e as influências de Organizações Não-Governamentais estrangeiras para que a soberania dessas regiões seja entregue aos índios. Também posso recomendar o excelente artigo de Luís Dufaur, Guerrilhas penetram no Brasil, pois este trata de forma clara e objetiva sobre um relevante número de ameaças verdadeiras que atualmente sofremos contra a nossa soberania.

A proteção de nossas fronteiras contra tais invasores deveria ser a prioridade de segurança nacional. Mas como fazê-lo, se as Forças Armadas estão sucateadas e humilhadas não dispondo de recursos nem para alimentar os novos recrutas? Como organizar tal empreitada se o inimigo é hoje desconhecido, pois parte da Igreja, o Governo e a imprensa apóiam, de uma forma ou de outra, esses terroristas e inimigos da pátria? E o pior de tudo, como chegaremos a nos defender se as próprias Forças Armadas, cansadas e aturdidas, tendo recebido por seu heroísmo inigualável apenas chacotas e escárnio, hoje se divide entre aqueles que, sem estarem conscientes de tanto, aliam-se às forças ditas progressistas, favorecendo o verdadeiro inimigo nacional?

Esse texto serve como apelo para, apesar da ignorância e da barbárie que tomou o Brasil – o Rio de Janeiro num prelúdio de guerra civil; o MST de norte a sul do país, destruindo a propriedade e fomentando a violência e a pobreza; e o governo brasileiro apoiando descaradamente os terroristas colombianos e recebendo ordens desde Cuba – as Forças Armadas continuem cientes a respeito dos verdadeiros inimigos da pátria não aceitando se prestar ao papel de Dom Quixote tupiniquim a enfrentar moinhos de vento norte-americanos.

* João Costa é bacharel em ciências administrativas e especialista em relações internacionais.

Fonte: Midia Sem Mascara



  


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